Quem é ela?
1ª parte do arco “Quem é ela?” de Superpoderosa, uma saga baseada em HQ
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— A polícia ainda não tem explicações plausíveis para dar à população sobre a recente onda de captura de bandidos. Comerciantes locais relatam que uma pessoa, alguma coisa com velocidade sobre-humana tem agido contra criminosos. Francisco Plínio de Arruda, funcionário da pizzaria Central relata sobre a ocorrência da noite anterior: “Os bandidos estavam prestes a levar o dinheiro do caixa quando um vendaval entrou pela porta da frente! Foi incrível”. Indagado se conseguiu identificar alguma coisa, respondeu que não.
O jornal é jogado sobre a mesa.
— Fiz questão de guardar para você. Li esse trecho da reportagem porque é o mais interessante, já que o jornal todo está repleto de reportagens desse tipo. Tem até uma matéria na qual os cidadãos opinam sobre o que você é, dá para acreditar? Gosta disso, não é? — Meire acende o cigarro.
Encostada na porta do gabinete da delegada está a protagonista da reportagem. É uma jovem de cabelos claros, olhos grandes, verdes. Os lábios finos, o busto médio e as pernas esguias. A barriga à mostra irrita a delegada Meire. O corpo atlético da super-heroína impressiona. Super-heroína, só pode ser piada, Meire ainda acha graça.
— Gosto — responde ela, a voz é de gente.
Veste mine-blusa branca com um raio dourado no peito, luvas sem dedos amarelas cobrem suas mãos. Traja calça branca com raios laterais dourados e botas brancas de asas amarelas nas extremidades completam o uniforme.
— Eu devia contar pra eles que conheço você — Meire apaga o cigarro que acendeu há pouco — Preciso parar com isso.
— Acho que nossa pareceria funciona bem como está, Meire.
— Pode ser, mas eu ainda não consigo aceitar que você exista — a delegada aponta para a heroína. — Já pensou no dinheiro que poderia ganhar?
— Eu quero ajudar as pessoas, só isso — ela desaparece seguida de um vendaval que derruba a papelada que estava em cima da mesa da delegada.
— Merda! Odeio quando ela faz isso.
Meire é alta, dos olhos verdes sem maquiagem e cabelos curtos. Veste-se com blazer negro e a arma da corporação descansa no coldre embaixo do braço esquerdo. A camisa é branca, os sapatos escarpam, pretos. Acende outro cigarro e relaxa em sua cadeira de presidente.
— Esse mundo está de cabeça para baixo — diz a si própria.
O fato era que os crimes em Santa Paz, cidade conhecida pela ironia do nome, tinham diminuído bruscamente. Desde o surgimento daquela menina com superpoderes a cidade vivia dias nunca antes possíveis. Santa Paz agora era santa paz mesmo.
— Onde será que ela está agora? — pergunta, sozinha, a jovem delegada.
O silêncio do ambiente faz a super-heroína frear bruscamente. Ela não identifica o local em que se encontra. Saara? Talvez.
As estrelas brilham com toda intensidade no céu, são muitas. A terra árida sem vestígio humano é um convite à paz; ao caminhar. Ela anda, não sente frio. A mente ainda é mais rápida do que o corpo mágico. Vai longe, para casa, lugar que não pode chegar por outro meio.
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