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Poeira e Fumaça

A única com superpoderes

Paul Law

A parte 3 do núcleo “Quem é ela?” de Superpoderosa

8 janeiro 2026 5 minutos de leitura

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É tarde da noite, a delegacia está vazia, tem se tornado rotina para Meire alongar o expediente. Os policias de plantão estão nas ruas e sua desculpa para estar ali é o trabalho atrasado. Na verdade, o que ela espera é a chegada da super-heroína. O vendaval anuncia Mercúria.

— Tem uma maluca que quer ferrar com você — Meire não tira os olhos do computador — Ela não pode não é? Você não é humana, é?

Mercúria aproxima-se com velocidade. Os papéis de Meire se espalharam.

— Você não sabe andar?

A heroína responde:

— Eu andei.

— Levantei para você alguns dados dela — Meire recolhe as folhas que tinham se espalhado com o vendaval — Valéria Albuquerque, advogada conhecida na cidade. Ficou uns anos sem dar as caras, mas voltou a atuar recentemente.

Quando Mercúria observa a foto em um documento, lágrimas se juntam em seus olhos. Ela procura afastá-las antes que Meire perceba:

— Ela entrou na justiça pedindo a reparação dos danos patrimoniais que você tem causado na captura de bandidos. Acho que precisa conversar com ela, mostrar que tem boas intenções, sei lá.

Era difícil fazer o que sugeria a delegada. Mentiu:

— Está bem. Vou pegar uns bandidos agora e antes do final do meu turno passo lá.

Meire assente e depois diz:

— Eu vou para casa. Procure não arrumar muita confusão.

Enquanto avança em supervelocidade pelas ruas da periferia de Santa Paz, Mercúria tem a mente distante; em Valéria. Uma senhora está sendo assaltada em uma esquina escura afasta momentaneamente a advogada dos énsamentos da heroína. Ela acelera o passo e com um soco veloz derruba o primeiro bandido. A velha cai e quando Mercúria tenta erguê-la, o disparo de um flash a deixa confusa.

— Parô, parô! Não somos bandidos! — a senhora fala como a voz masculina.

— Mas o quê?

A velha se levanta e retira a peruca, revelando-se um homem. Ele tem os cabelos castanhos bem curtos, as sobrancelhas grossas, os olhos castanhos e um cavanhaque no queixo. É mais baixo que a maioria dos sujeitos que Marcúria conhece, como se feito para o disfarce.

— Nem tente quebrar meu celular — ele lê os pensamentos da velocista — A imagem estava programada para ser enviada ao jornal assim que eu batesse. Sabia que não teria mais de uma chance. Nossa, você é real! — ele se excita.

— Eu posso descontar a minha raiva na sua cara, o que me diz?

Ele se afasta:

— Você é gata, puxa. De outro planeta?

— E você é enxerido demais.

— Prazer, sou Marcelo Siqueira — ele estende a mão, mas Mercúria não o cumprimenta — Isso é incrível! Eu coloquei nas matérias que fiz sobre você, que se tratava de um alienígena. Estou certo, não é?

Mercúria desconversa:

— Posso pedir pra não publicar a foto? Eu não quero publicidade…

— Pôxa, os cidadãos de Santa Paz querem te conhecer. O mundo todo quer saber dos seus poderes, da sua história.

— Não quero atrair atenção. Não sei dos inimigos que podem usar essas informações.

— Relaxa! Você é a única que tem superpoderes por aqui.

Para contrariar o que diz Marcelo, uma explosão consome o local onde os dois conversam. Mercúria teve tempo de salvar o repórter, mas o outro que participou da manobra para obter a foto da heroína está morto. Quando a fumaça dissipa, Mercúria identifica a figura de uma mulher.

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