Os novos carregadores
Os mortos têm novos responsáveis para levá-los ao Vale das Sombras da Morte
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Por Breu da Noite
Na escuridão dessa noite, nas terras vastas da Fazenda Boa Manhã, foi avistado, pela primeira vez, os seis novos Carregadores de Caixão: Dono, Noiva, Ninguém, Nada, Menino e Amanhã, carregando uma senhora de nome Fátima. Eles assumiram as seis alças douradas deixadas por Último Dia, Nunca Mais, Artesão, Sem Futuro, Fome e Sonho e Pó.
O canto dos pássaros, o frio de outono ou mesmo o cheiro de mato esfriando já davam indícios de que os transpositores de mundos estavam realizando suas últimas viagens. Tudo tem um começo e fim, alegou Sonho e Pó a esta jornalista quando foi ouvido para outra notícia. Último Dia diz que o fim dos seus trabalhos tem a ver com o irmão de dois nomes:
“Ele planejou tudo na oportunidade que nos convenceu a diminuir o passo e depois parar. Morte não para e se parar, deixa de ser o que é. O caixão caiu, o corpo rolou e só pôde ser recolhido pelos nossos substitutos.”
Artesão se tornou árvore, Nunca Mais sumiu dentro de espelhos, Sem Futuro virou alcoólatra, Fome vive em um acampamento Sem Terra e Último Dia comprou uma chácara. Pó brinca de deus entre os camponeses desde sua separação de Sonho. Já sobre este último não se tem notícias.
Um dos ainda mais antigos carregadores, Maquinista, esclareceu que é inevitável a mudança. Quando ele, Desenlace, Padre, Costureira, Coveiro e Mais se aposentaram foi a mesma surpresa em toda a Natureza. E eles eram os primeiros, sendo que dois deles viriam a ser o Pai e a Mãe de toda a existência.
Já se sabe que a chave dos Portões do Vale, que foi de Desenlace, era de Último, foi dada a Noiva. Resta saber, agora, como se comportarão os novos senhores do fim e se um dia serão livres para dar entrevistas.
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