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Dicas de escrita

Dicas práticas e técnicas para sair de bloqueios criativos e como escrever melhor histórias de ficção, sejam roteiros, livros ou contos

Nesta página apresentamos dicas para melhorar a escrita e como sair de desbloqueios criativos, principalmente na criação de textos de ficção, mas não limitados a eles.

Estas dicas tem muitas origens e diferentes objetivos. Coloque em prática as que lhe fizerem mais sentido. Como também, sinta-se a vontade de ignorar todos elas. Arte não tem regras.

Conflito e arcos

Conflito é como chamamos as dificuldades que o protagonista enfrenta durante a história. Numa história tradicional, é tudo que acontece depois da introdução do protagonista e antes da conclusão da história. Lembrando que num texto curto (o foco deste site), alguns destes elementos podem ser dispensados.

Apesar de nem toda história precisar de conflito, eles podem facilitar bastante no desenvolvimento dos arcos dos personagens.

Para conflitos, você pode pensar grande: um asteroide em rota de colisão com Terra; mas também deve considerar coisas “pequenas”: levantar da cama para enfrentar um trabalho sem sentido também é um conflito.

Arcos são pedaços (ou inteiros) da história, onde há uma transformação. O arco principal é a narrativa, tudo que muda entre o começo e o fim — a partir do ponto de vista apresentado. O protagonista também terá seu arco principal, que geralmente se conecta com a narrativa. Mas dependendo do tamanho da obra, outros personagens terão seus próprios arcos, como também, poderão passar por vários arcos menores.

Um exemplos de arco seria o protagonista que sai de uma grande cilada, e se torna uma pessoa melhor, por agora valoriza mais as pequenas coisas que tinha na vida.

Histórias de superação costumam despertar curiosidade e envolvimento dos leitores. Mas arcos nem sempre são positivos. A mudança pode ser para pior, como uma punição por falhas do protagonista apresentadas na introdução. Tragédias fazer uso disto.

Arquétipos, tropos, clichés

Boas histórias não são aquelas que evitam fórmulas prontas ou ideias comuns. São, na verdade, aquelas escritas por quem entende o porquê destas fórmulas existem, como usá-las e principalmente como distorcê-las. Não se limite a fórmulas. Mas também não tenha medo de usá-las.

Arquétipos, tropos e clichés (temas/ideias recorrentes em enredos) podem trazer universalidade e atemporalidade a história; criar um ambiente conhecido logo de início; e acelerar desenvolvimento com pouca explicação.

Se suas [primeiras] histórias ainda recaem em arquétipos batidos, não considere isto um problema. Reproduzimos os arquétipos batidos dos quais somos bombardeados desde nossa infância. Ou apenas contamos uma história fundamental da existência humana, como sempre fizemos, desde o início dos tempos.

Se é seu desejo fugir disto, busque histórias de outras culturas e/ou contadas por minorias fora do mainstream.

Diálogos e realismo

Diálogos não devem ser realistas. Diálogos, assim como tudo na obra, deve desenvolver personagens ou avançar a história. “Oi, tudo bem, e você?” pode parecer realista, mas não é importante o suficiente para ser escrito.

Considere também que se o personagem fala errado por algum motivo, escreva suas falas de acordo. Trejeitos como este podem ajudar a diferenciar personagens, como também desenvolvê-los.

Foto de Glenn Carstens-Peters na Unsplash

Como começar

Aqui estão algumas sugestões rápidas para começar a desenvolver sua primeira história ou desbloquear uma ideia antiga.

Lembre-se que o produto final não precisa ser escrito na mesma ordem em que será ser lido. Saber toda a história de antemão permite que você escreva o que sabe com mais detalhes primeiro.

Tenho o universo/ambiente

Escolha seu protagonista: ele não precisa ser impressionante ou heróico. Na verdade, alguém comum vivendo uma rotina chata pode ser bastante relacionável. Mas é preciso saber o porquê sua história é especial/interessante o suficiente para ser contada.

Determine e equilibre seus defeitos e qualidades: isto ajudará a criar conflitos que irão explorar os pontos fortes e fracos do seu protagonista.

Determine o quanto você quer mostrar do seu universo: este protagonista passará por tudo que quer mostrar? Ou serão necessários outros núcleos/linhas do tempo para isto? Mas lembre-se que, dependendo do formato, a narrativa é mais importante que o universo.

Tenho o protagonista

Determine a motivação: considere o que acontece no dia-a-dia do seu protagonista.

Descubra o que ele mais deseja: seu protagonista estaria disposto a fazer de tudo para conquistar aquilo que deseja?

Ou descubra o que ele mais teme: diante deste medo, como ele encontrará forças para superá-lo? No final, ele será bem sucedido? O que ele vai aprender/conquistar no caminho?

Tenho o começo

Se você já escolheu o protagonista e determinou sua motivação:

Determine o final: que mensagem/lembrança você quer deixar no leitor? Considere que o final pode fazer um contraponto ao início. Criar um final ideal (que seja inesperável e inevitável) pode ser difícil, mas conhecer o fim facilita criar pistas e despistes no meio que irão culminar no seu final ideal.

Tenho o final

Crie uma escaleta (roteiro): não se preocupe com a qualidade do final logo de início; o que torna um final bom é a história como um todo. Crie e preencha (em qualquer ordem) uma lista dos principais pontos da história. A quantidade de itens nesta lista varia de acordo com os pontos necessários para criar e fechar seu arco narrativo. Os pontos precisam estar em sequência para melhor compreensão da história e para alcançar os sentimentos desejados no leitor, mas eles não precisam estar em ordem cronológica. Cada história tem seus próprios pontos, mas você pode buscar inspiração na jornada do herói, beat sheet, círculo da história, ou até no kishotenketsu.

Tenho uma cena

Investigue e expanda: tente descrever a cena com os máximo de detalhes que conseguir. O que parecer deslocado à primeira vista precisa ser apresentado e explicado antes. O que gera curiosidade, fica em aberto ou é transformado durante a cena precisa ser explicado depois.

Pense como esta cena se relaciona com o protagonista para determiná-lo: quem tem a história interessante o suficiente para ser contada. Pense como e porquê os personagens chegaram até ali, e o que a mudança que esta cena criou irá proporcionar a eles.

Tenho uma inspiração

Defina os pontos principais e seu objetivo: liste os elementos que mais gosta nesta obra: características do universo, personagens, seus relacionamentos, partes do enredo, ideias apresentadas, etc. Então que mudança você quer nesta história e quais novos elementos você quer acrescentar. Se as mudanças forem poucas, talvez você possa começar com uma fanfic. Se seu objetivo for criar um derivado original, lembre-se que sua história precisa ser independente e ter fundamentos originais sólidos.

Tenho a história

Revise: terminar uma história é difícil, mas traz bastante satisfação e entusiasmo. Mas é preciso entender que a revisão faz parte do processo. Além de corrigir erros gramaticais (use um leitor de texto eletrônico), busque corrigir erros de enredo: o que ficou mal explicado, repentino; se as descrições e mensagem ficaram claras ou abertas de acordo com a intenção. Um novo par de olhos respondendo “explique-me o que entendeu desta história/final” pode ajudar a identificar estes pontos; afastar-se do próprio texto por tempo suficiente para esquecê-lo também.

Como não parar e exercitar a criatividade

Assim como qualquer outra coisa na vida, fazer da escrita um hábito irá deixar o processo mais fácil. Escreva todos os dias que puder. Seja exercícios, seja um diário, seja para um livro, seja desafios deste site.

Às vezes, começar é o mais difícil. Não se preocupe em escrever bem logo na primeira versão: é apenas um rascunho. O que irá transformá-lo no produto final é a revisão. E dependendo do seu objetivo, reescrever a obra (mais de uma vez) também faz parte do processo.

Sempre anote as ideias que tiver. Você irá ficar bem frustrado se esquecer de uma boa ideia. Um grupo só com você no WhatsApp pode ser o suficiente para isso.

Consuma conteúdos que te inspire: ótimos livros, excelentes filmes e séries, que lhe sejam inéditos ou não. Do mesmo gênero que você está mirando, mas não limitado a ele. E também obras fora da sua zona de conforto: seja de outros países ou pouco conhecidas.

Lembre-se do motivo que te fez começar a escrever. Saber contar boas histórias, envolventes e emocionantes é uma arte para poucos. Pense em como você se sentiu ao ler uma história que te marcou e que é este sentimento que você pode causar em seus leitores.

E por último, talvez a coisa mais importante que você possa aprender aqui: a memória funciona por associação. Isto é, quando alguém ouve “sol”, ideias como “quente”, “luz”, “dia” virão em seguida. E criatividade é habilidade de fazer associações com coisas distintas. E tentar encontrar o sentido/conexão entre elas, mas também saber quando descartar uma ideia e ir pra próxima. Um gerador de palavras aleatórias pode ajudar, mas você pode treinar seu cérebro para isto. É como criar novas conexões na sua memória. É pensar poliéster após ouvir oceano. É sobre como destrancar uma porta sem usar uma chave. É descobrir como tirar seu protagonista do sufoco que você mesmo criou.

Pesquisa

Propositalmente, deixamos vários termos sem definições nesta página, principalmente porque muito destes termos (inclusive os que definimos aqui) podem ter mais de um significado e aplicação, por isto deixamos para você se aprofundar neles.

E que isto seja um lembrete de que um escritor deve estar sempre pesquisando. Seja para tornar suas histórias mais palpáveis, seja pelo constante aprendizado.

Esperamos que pelo algumas destas dicas tenham lhe ajudado. E que a sua ânsia por escrever esteja ainda maior.

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