Eu vou dar um jeito nisso
Final de “Quem é ela?”
Clique num paragrafo para adicionar uma marcação
Marcelo segura o corpo pesado de Mercúria, ele não sabe o que fazer. Ardente se aproxima para terminar o seu trabalho, imagina o jovem. Para a surpresa do repórter Mercúria desperta:
— Não é a mim que você quer? — ela pergunta com a voz fraca.
Marcelo repara que o ferimento nas costas da heroína já não se regenera. Imagina que ela está no limite das suas forças.
— Eu vou dar um jeito nisso — Mercúria diz ao se afastar do repórter.
Avança em supervelocidade contra Ardente, agarrando-a pela cintura e empurrando-a para longe.
Atravessa a cidade, o estado, o país, utilizando a inimiga como escudo para atravessar paredes e árvores. Quando para, Ardente está inconsciente.
Mercúria treme. As pernas não suportam o peso do corpo. Os joelhos se dobram, os músculos estão no limite. Ela sabe que precisa de tempo para voltar. Está ofegante, o cérebro continua pensando rápido. Quem é Ardente? Por que deu a entender que pertencem a mesma família? Quem é ela própria?
A velocista acorda algumas horas depois. O corpo de Ardente não está mais ali e ela se espanta. A vilã teve a chance de liquidá-la e não o fez. O seu corpo regenera-se o possível para voltar para casa e Mercúria sabe que não pode abusar dele. O corpo realiza processos físicos com supervelocidade, por isso ela precisa se alimentar com frequência para manter as funções fisiológicas normalizadas.
Ela corre de volta em ritmo menos intenso. Chega em casa uma hora depois da partida. O uniforme está um trapo. Ela o retira e observa que está mais magra. Abre a geladeira e pega a tigela de macarrão, deve estar bom. Sem esquentar, começa a devorar o alimento e imediatamente sente-se melhor. Suspira aliviada.
Depois de devorar tudo que havia na geladeira, a heroína está satisfeita e salva. Descansa no velho sofá da sala. Observa o teto forrado de madeira e percebe que caruncho começa a destruí-lo. Lembra-se de que tudo é transitório, sente saudade de Clarice. Recorda-se do próprio nome, Verônica. Mora em um sobrado no centro da cidade e trabalha como vendedora de revista e livros usados no Sebo deixado por Clarice, no andar debaixo. Desde o falecimento da tutora, assumira o negócio. A vida havia mudado com velocidade superior a que ela podia atingir, era o que pensava.
O jornal que chegou cedo, junto à abertura do Sebo tem uma reportagem especial de capa. Verônica fica surpresa, era bombástico. O repórter Marcelo Siqueira tinha publicado sua foto e feito uma matéria reveladora.
A foto era de perto, detalhes do uniforme, do cabelo estavam nítidos. A dona do Sebo começa a ler e sente seu estômago embrulhar. O repórter anuncia que a super-heroína da cidade se chamava Mercúria e que, como a imagem demonstrava, tinha aparência humana, mas poderes sobrenaturais. O repórter elencou dois: a supervelocidade e a regeneração instantânea. Por último relatou o embate com a supervilã Ardente e o salvamento heroico de sua vida pela heroína. Torcia para que ela estivesse bem e lamentava a morte da pessoa que estava trabalhando com ele naquela noite.
— Oh, droga! — diz a moça ao fechar o jornal.
Comentários