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Parte 1 de SpeOps
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Meu pessoal não policia. Não faz a segurança. Não conta as baixas. Não contabiliza os gastos. Não se preocupa com a opinião pública. Não se reporta a superiores. O máximo que fazemos é, no final de tudo, mandar uma mensagem de texto dizendo “Missão cumprida”. O que precisou ser feito para isto não importa. Ninguém ficará sabendo. Principalmente porque, oficialmente, nós nem existimos.
BAHAWALPUR, PAKISTAN2024.01.23 - 14:52CRISE DOS MÍSSEIS
A última foto de satélite tirada no mundo. Depois disso, o NSA.IC-32 caiu completamente avariado em algum lugar do pacifico, assim como todos os outros. Depois disso, nada conseguiu se manter acima de 100 quilômetros de altura. Por dias a chuva de rastros de fogos dos dejetos espaciais foram notícia em todo mundo.
O que o NSA.IC-32 flagrou foi uma estação de lançamento de misseis até então secreta no interior do Paquistão. Alinhada com a China na época, o Paquistão estava disposto a lançá-lo contra a Índia. Era poder bélico o suficiente para destruir toda a capital e as cidades vizinhas. E se esse ataque acontecesse, um ato covarde para a declaração de guerra já pré-anunciada pelo governo extremista durante anos, mataria praticamente somente civis.
A guerra se aproximava de Punjab, a província mais importante do país, e esta era a sua cartada final.
A fronteira de Punjab era um dos pontos de maior resistência na região, impedindo o avanço das tropas da união por meses e meses. Tinham forte guarnição na fronteira leste. Antiaéreos por todo o estado. Era um terreno intransponível por terra e por ar.
Intransponível pelos soldados normais. Foi quando recebi um telefonema.
A última foto de satélite do mundo deu início a melhor equipe de operações militares especiais que se tem notícia. E eu seria o chefe dela.
EUROPE2033.05.16 - 10:23CENTRO DE TREINAMENTO
Hoje somos um grupo independente. Quem me ligou naquele momento hoje não tem mais voz.
Naquele quase um mês de treinamento antes da missão no Paquistão, nós deixamos nosso receio na lama, engolindo e cuspindo coragem.
Perdemos toda nossa piedade: a vida de um ser humano não parecia valer mais ou menos que a de um cachorro de rua.
Perdemos o medo da morte, mas não nos tornamos suicidas. Não tínhamos medo de morrer, e muito menos de matar; essa era a parte importante do nosso trabalho.
Foi um treinamento pesado, como nunca antes feito em qualquer outro exército.
Eu fico feliz que nada tenha mudado até hoje.
PAKISTAN BORDER2024.02.26 - 03:12CRISE DOS MÍSSEIS
Na teoria, nosso plano era bem simples. A execução nem tanto.
Fora da forte barreira de defesa, havia uma estação de energia que alimentava praticamente todo o sul de Panjub, e não tinha guarnição pesada.
Esta informação não foi fácil de ser conseguida. Alguns prisioneiros não resistiram ao interrogatório.
Mas depois de alguns dias em campo, somente nós tínhamos conhecimento disso, e um plano que culminaria finalmente na rendição do Paquistão em 43 horas.
Para isso nós precisávamos de 20 soldados. Mas não soldados comuns…
EUROPE2024.01.30 - 04:59CENTRO DE TREINAMENTO PROVISÓRIO
— …EU SEI QUE ESTÃO CANSADOS DESSA LENGA-LENGA, QUE PENSAM SABER O BASTANTE PARA SAIR METENDO BALA NUNS FILHOS DA PUTA QUALQUER. MAS FIQUEM VOCÊS SABENDO…
— Tenente, pare com esta encenação ridícula, e volte a formação.
— Sim, senhor.
— Bom dia, grupo.
— BOM DIA, SENHOR!
— Finalmente chegaram todos. Hoje começaremos um treino recreativo, para entrosamento da equipe. Ao contrário do que o ex-tenente Moroel disse, eu sei que todos vocês são muito bem qualificados.
Vindos de todas as partes da Europa, os vinte melhores de seus militares estavam em fila na minha frente com os peitos estufados, orgulhosos de sua carreia.
— Nesta direção… A cerca de 20km, fica a outra parte do nosso centro de treinamento. Lá uma nave nos espera. Vocês tem meia hora pra chegar até ela.
Eles prontamente começaram a correr, mantendo um ritmo rápido. Eu seguia ao lado deles.
— Vamos lá. Não se acostumem a esta moleza.
— O treino é este, senhor?
— Não. No outro CT vão pegar os equipamentos, armamento, e vamos embarcar para o México. Da onde não sairemos até tomar o controle da capital do país.
— Mas… não é lá que existem quatro grupos diferentes em guerra civil?
— São mais de um milhão de pessoas armadas.
— Sim, soldado Domer. Mas muitos deles já morreram desde a última vez que você leu o jornal.
— Senhor, minha patente é de capitão.
— Desculpe, soldado, eu esqueci de avisar. Atenção: a partir de agora, todos vocês são soldados. E eu o seu sargento. Entendido?
— Sim, senhor sargento.
— Vamos lá, apertem o passo! Eu posso tomam o México inteiro sem metade de vocês! Não vou deixar de não levar qualquer um que não chegue a tempo!
Ao ouvir isto, todos eles aceleraram o ritmo e me ultrapassaram.
Vinte dias depois, a Cidade do México estava sobre controle. E todos os vinte soldados executaram suas funções excelentemente bem.
Comigo, éramos 21.
O nome daquele primeiro grupo e de nossa primeira missão foi Blackjack.
PUNJAB, PAKISTAN2024.02.28 - 02:50OPERAÇÃO BLACKJACK | CRISE DOS MÍSSEIS
Numa noite fria no inverno do deserto, seis soldados estavam apostos para tomar a estação de energia às 0300.
À 60 quilômetros de distância, às 0306 uma outra equipe adentraria a fortaleza, precisando ou não dos óculos de visão noturna. Eu acompanhava esta equipe.
A nossa frente, cerca de 15 km, estava uma torre de vigia. Àquela hora só havia dois soldados de guarda. Provavelmente mais dez deles acordados e mais 50 dormindo naquele posto avançado.
Era uma parte tranquila da fronteira, mais adentro do território.
Para os dois vigias eu portava uma sniper, que poderia atirar muito mais longe que 15 km. Para os 10 acordados, o elemento surpresa acompanhado de SMG com soldados que corriam mais rápidos que a própria sombra.
Para o resto, flamethrowers.
Às 0305, faltando 10 segundos para o próximo minuto, as luzes do posto inteiro se apagaram. Às 0306 em ponto, eu desafixava a sniper, e começava a correm, seguindo os outros.
As 43 horas tinham começado.
MEXICO CITY, MEXICO2024.02.02 - 03:52TREINAMENTO ESPECIAL
A estratégia no México se resumia em seek and destroy.
Sem aliados no campo, bastava atirar nas manchas de calor que portavam armas.
O nosso avanço a luz do dia era fraco. Aproximadamente 50 inimigos por dia.
Já a noite… Com vinte homens em campo, faziam 50 abates cada um.
BAHAWALPUR NEAR, PAKISTAN2024.02.28 - 05:10OPERAÇÃO BLACKJACK | CRISE DOS MÍSSEIS
Duas horas depois da primeira invasão, estávamos seguindo até a cidade em um caminhão e com uniformes do exercito do Paquistão.
Estávamos despreocupados quanto a possíveis avisos de uma base a outra, sem energia eles demorariam muito a estabelecer outra forma de comunicação, já que conhecíamos bem a precariedade do sistema de rádio dos militares do país.
Esta interrupção iria se prolongar por dias, já que a estação de energia fora explodia horas antes.
A equipe que lá estava percorria o deserto igualmente disfarçados, até a central telefônica da região, que ficava na capital. Nos encontraríamos no ponto marcado dali dez horas.
Estar na estrada à noite, no meio do deserto, de uma região sem luz era assustador. Em trinta anos de serviço nunca tinha visto nada igual.
Eventualmente, via-se uma fogueira, algumas pessoas maltrapilhas em volta, que pareciam não saber o que acontecia no mundo. Ou melhor, não se importavam.
Mesmo seguindo a bússola, chegamos à cidade com uma hora de atraso previsto. Na frente de inúmeras casas e prédios sombrios, um grande número de soldados faziam um bloqueio.
Vendo-os por alguns minutos pela mira ótica da sniper, pareciam acalmar a população, não sabendo o que acontecia, ansiosos pelo dia amanhecer.
As noites de inverno no deserto são longas, e antes de o primeiro raio de sol despontar no horizonte, o bloqueio tinha sido eliminado.
Continua…
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