Delta: Fire
Parte 4 de SpeOps
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O interrogador balança a cabeça abaixo e acima sutilmente. Depois abre um sorriso irônico.
— E você quer que eu acredite nisto, sargento?
— É tudo o que você vai ter, agente.
— Não me parece. Você é bom de contas? Foram 20 baixas naquela missão. Não desdenhe informações…
— Imprevistos acontecem, agente. Além do mais, já faz 10 anos. Imagina quantas outras missões tivemos? Quantas baixas já tivemos? Por que isto agora? Deixe-os descansar em paz…
— Porque agora?
O agente tira uma pasta da maleta, com a etiqueta de confidencial.
— General McDasson morreu semana passada. Você soube?
— Sim… Eu soube…
— Achamos que ele era o contratante da sua equipe, não era?
— Não… Apenas um financiador indireto.
— Estes documentos foram encontrados em seu cofre. É só o que tem a dizer sobre ele?
— Bem… Acho que ele fazia parte do exército também, não é?
O agente bate na mesa, furioso.
— Estou cansado de suas ironias. De suas mentiras. Vinte famílias foram enganadas e nem puderam enterrar seus familiares. Você quer que estes documentos venham à tona? Quer que a verdade venha à tona? Pois aí então não serei eu a te fazer estas perguntas. Representantes de dez dos países mais ricos virão atrás de você querendo explicações.
— Você quer a verdade agente? A verdade é que se eu e meus vinte amigos mortos não tivessem entrado naquela guerra você viveria agora num mundinho bem diferente. Aquelas mísseis teriam sido lançados, Alpha Priority teria sido destruída e toda a base de operações da União no Oriente iria pra merda. A maldita verdade, agente, é que aqueles soldados vestiram seus uniformes mortos, pegam seus rifles e entraram naquela bosta de guerra mortos. Assim como eu estou morto. Cheque seus arquivos. Cheque suas fontes. Eles eram meus soldados, droga! Acha que não lamento por isto também? Sou eu que não tenho mais paciência para as suas ladainhas — diz se levantando.
— Eu não…
— Você queria uma historinha, eu lhe contei uma história. Agora com licença, eu tenho trabalho a fazer. E é bem longe de ficar no ar condicionado cheirando papeis velhos.
O sargento sai rapidamente pela porta, encontrando céu e sol.
EUROPE2033.05.16 - 11:03CENTRO DE TREINAMENTO
O agente demora até reunir todos os papeis de volta em sua maleta, e sai mais vagaroso.
Do lado de fora, para observando o oficial se afastar.
— Sargento? — que deixa de andar e o observa desgostoso. — Não leve pro lado pessoal — então segue caminhar pela base.
O sargento continua a percorrer seu caminho apressando, passando pelos soldados de uniformes pretos fazendo exercícios de treinamento. Ele resmungando pra si mesmo:
— Vai à merda, seu puto…
BAHAWALPUR, PAKISTAN
2024.02.29 - 03:11
OPERAÇÃO BLACKJACK
No meio da poeira, do zunido agudo e constante, vozes bem baixas passam a serem ouvidas.
— Maldito seja…
— O que foi isto?
Tosses engastadas. Entulho sendo revistado, pisado por botas.
— Sargento?
O zunido e a poeira aos poucos vão passando. Dão lugar a uma irracional dor de cabeça e na maior parte do corpo.
— Sargento?
A voz parecia mais perto, mais apenas alguns quilômetros na neblina psicodélica.
— Sargento, você está bem?
O sargento, apático, com a voz fraca, levanta-se aos poucos, com o mundo parecendo girar.
— Soldado?
— Sim, você está bem?
— Nunca estive melhor. Que diabos foi isto?
— Quem é que sabe… Vamos, eu te ajudo.
— E os outros?
— Não encontrei todos ainda, senhor.
— Deixe-me que eu posso me virar sozinho…
— Não, o senhor não esta em condições.
— Droga, soldado. Me deixe! Eu estou ótimo!
Quando o soldado deixa de ancora-lo, o sargento cai de costas no chão cheio de entulho.
SOUTHERN INDIA2024.02.29 - 03:23ALPHA PRIORITY
A sala de rádio está fervilhada, inúmeros operadores passam ordens a várias equipes de naves. Adentram no território rapidamente, destruindo muitos alvos militares. Pegando ainda de surpresa o inimigo.
O capitão está com um amplo sorriso satisfeito. Já pensa na ligação que receberá informando-lhe sobre a intensão de rendição do país. Finalmente então podendo concentrar-se todas as forças de seus batalhões na China.
Porém o general não parece satisfeito, e sim preocupado.
Ele chama com um gesto o capitão. Caminham até sua sala.
Pede para fechar a porta e começa a falar:
— Quero que você garanta que as informações dessa última hora não saiam dessa sala.
— Que informações, senhor? Mais de vinte pilotos…
— Eles são soldados.
— Sim… mas…
— Soldados são soldados, capitão. Eles são pagos e treinados para cumprir ordens. Não contar histórias… Espero o mesmo da sua equipe.
— Certo, senhor.
— Dispensado.
BAHAWALPUR, PAKISTAN2024.02.29 - 03:38OPERAÇÃO BLACKJACK
O sargento acorda encostado numa viga caída. Ao lado dele estão mais três.
Próximos a eles estão mais dois, que tomam as primeiras providências nos feridos.
— Por quanto tempo eu dormi, soldado?
— Uns 15 minutos, senhor.
— Já encontraram todos?
— Não… Ainda não.
— Algum contato?
— Não…
— Sorte. Nós temos que dar o fora daqui. O alvo foi destruído de qualquer forma.
— Mas senhor, ainda temos Donal…
— Nós temos que ir, soldado. Não há nada que possamos fazer. Reúna os outros.
O soldado se afasta, em direção aos outros três que faziam as buscas.
— Eu não vou… — diz o que continuava cuidando dos desacordados.
— Soldado, eu entendo que quer ajudar…
— Eu simplesmente não vou, sargento. Não importa o que diga.
Os outros quatro retornam, com caras contrariadas.
— Ele tem razão, sargento, nós não podemos deixar companheiros para trás.
— O que há com vocês, hein?
— Eu que pergunto: o que há com o senhor? Este território está praticamente dominado, não vejo…
— Dominado por quem? Pela União que já matou sei lá quantos de nós? Ou por nós, com metade dos homens mortos ou feridos, e desarmados?
— A União? Como sabe que foi a União?
— Quem mais tem naves a jato por estas bandas? Não deixe a confusão do momento levar sua cabeça — o sargento faz um pausa, pensativo. — É isto, soldado, você está se deixando levar pelo trauma de há pouco. Sua cabeça deve estar realmente fodida pra querer continuar aqui por mais um minuto que seja.
— Eu estou bastante confortável com minhas ideias, sargento, se é que minha própria opinião sobre mim conta.
— Olhe em volta, soldado. Não tem porra nenhuma dominada aqui. Esta é a terra do cão. E você quer ficar para ser devorados por nem-sabe-quem?
— É… É o que estou planejando, senhor.
— Agora você tem um plano soldado? Você vai enterrar seus amigos aqui ou vai esperar até chegar em casa? Pois você já devia ter começado a cavar a cova.
— Vamos… Deixe este maluco falar suas besteiras…
— Sou seu superior, e esta é uma ordem direta.
— Nós nos decidimos já há algum tempo, senhor.
— Vejo que sim… Realmente — tirando um revolver de dentro do uniforme.
Um dos soldados admira e diz:
— Desarmados, não é?
— Isto não é uma arma soldado. Isto é uma ordem. E caso a desobedeça, não hesitarei em usa-la.
Com deboche, o soldado retruca:
— Você só pode estar…
— Não, soldado. Eu recebi instruções expressas de invadir o território, eliminar o alvo, e não deixar provas de nossa passagem por aqui. Muito menos do tipo que possa falar.
O sargento se aproxima com passos firmes dos cinco soldados de braços cruzados. Mesmo com a arma abaixada, todos sabiam que ele podia atirar em menos de um segundo. Ele continua:
— A estação de lançamento foi destruída há uns trinta minutos, e acho que centenas de pick-ups cheias de birutas de turbante e AKs estão vindo pra cá neste exato momento. E vocês teriam sorte se eles já chegassem estourando os miolos de cada um de vocês.
— Ou o senhor o fará?
O sargento no mesmo instante atira na cabeça de um dos soldados desmaiados, fazendo o corpo cair de lado.
— Como eu disse, sem hesitar.
Continua…
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